Uma frase que sempre digo é: todo mundo deveria ter acesso a pelo menos algum curso de Comunicação. Não pelo fato de que comunicar é a base da convivência, mas por outros impactos significativos que a área proporciona.
Você pode estar me contestando neste exato momento, e eu até entendo, porque nem todas as pessoas possuem afeição à área de Comunicação, mas vou apresentar alguns pontos da minha vida que eu senti, com clareza, que só foram desenvolvidos quando ingressei no curso de Jornalismo.
Socialização
Quando criança, tive muita dificuldade em socializar. Mesmo com meus pais me incentivando a participar das atividades escolares, excursões e a passar maus tempo com primos e amigos, eu sentia que a timidez fazia parte de mim. Não sei se o fato de ser filha única contribuiu (acredito que não, porque onde eu morava sempre tinha algum familiar ao redor), mas a verdade é que isso me acompanhou da infância à fase adulta.
Após entrar para a faculdade e ver que seria praticamente obrigada a fazer as atividades em grupo pelos próximos quatro anos, percebi que deveria soltar a mão da timidez definitivamente. Os trabalhos, principalmente os gravados em vídeo e áudio, contribuíram muito para meu desenvolvimento pessoal. Logo no primeiro período, consegui um estágio voluntário no laboratório audiovisual da faculdade e isso fez com que eu precisasse tomar a iniciativa em vários trabalhos, contribuindo para a melhora da timidez.
Mais confiança para falar em público
Pegando o gancho do tópico anterior, com a dificuldade em socializar veio o medo de falar em público. Mas quanto mais o tempo passava na faculdade, mais eu percebia que essas coisas iam mudando. Comecei pegando temas que eu me sentia mais confortável para apresentar (até porque ou era isso, ou não concluiria o curso, né?!) e ia treinando em casa, frente ao espelho. Fazia um resumo de tudo, escrevia e decorava. Nas primeiras vezes, saía meio gaguejando, mas depois eu já nem precisei mais utilizar esse método.
Parece loucura, porque chegou a ser quase instantânea a mudança que aconteceu comigo. É algo universal? Não. Mas é muito natural. Eu via as pessoas com tanta facilidade em serem elas mesmas, que isso me contagiou. Adquiri mais confiança para contar minhas histórias aos colegas, sem medo de possíveis julgamentos. E acredite, foi libertador para mim.
Enriquecimento verbal e gramatical
Não que eu fosse uma pessoa ruim no que diz respeito à língua portuguesa, mas em um curso de Comunicação, é crucial que você leia muito, escreva muito e fale muito. Sendo assim, quando eu menos esperava, já havia sido contagiada por um vocabulário mais ‘robusto’ e profissional.
Exercício da proatividade
Há anos vez fui demitida do meu primeiro emprego por alegarem que eu não era proativa o suficiente para o cargo. Aquilo me abalou de uma forma inesquecível, porque era verdade. Eu era inexperiente, imatura e totalmente despreparada. Na época, pensei que proatividade tinha mais a ver com algo que a pessoa nasce, quase como um dom, e não algo exercitável.
No curso de Jornalismo eu percebi que as coisas vêm como um ciclo. Melhorando um aspecto, você acaba automaticamente ajustando outros sem perceber. Quando dei por mim, notei que a pessoa pode até ser proativa por um traço de personalidade, mas isso pode sim ser trabalhado em alguém que realmente queira ser proativo. E a área da Comunicação ajuda porque quando você adquire confiança, quando passa a ser o emissor e o receptor de uma mensagem, você acaba entendendo o que precisa ser feito para que tudo funcione e, sendo assim, age antes mesmo que o outro te peça.
Visão mais ampla da sociedade
As questões sociais e causas políticas são assuntos frequentemente tratados dentro de um curso da Comunicação. É como se você saísse de uma bolha e encarasse o mundo como ele realmente é. Na minha sala, haviam pessoas de diferentes classes sociais e em muitos seminários que fazíamos, algumas contavam suas histórias de vida, o motivo de estarem ali, e era exatamente nesses momentos que cada um dos colegas se dava conta de como certas questões sociais passam despercebidas na rotina diária.
Algumas histórias se tornavam assunto de trabalho acadêmico, como a de um rapaz que conseguiu bolsa integral por um projeto social em uma comunidade carente. São pequenas coisas que te fazem ter mais empatia, ter um olhar mais humano para o próximo.
Visão mais ampla de si mesmo
Para fechar o texto, o Jornalismo me fez descobrir que, dentro da profissão, há um mundo de possibilidades profissionais. Assessoria de Imprensa, TV, rádio, marketing, redação… Eu entrei no curso achando que faria uma especialização em jornalismo esportivo, mas acabei me apaixonando por várias outras áreas. É óbvio que não podemos ter tudo na vida, uma hora ou outra teremos que fazer escolhas. Mas te garanto que com várias opções fica mais fácil decidir.
Eu poderia escrever mais alguns aspectos que evolui ao longo dos quatro anos de graduação, mas escolhi os que mais me transformaram. Serei uma eterna apaixonada pela Comunicação, pois descobri que podemos ter várias versões de nós mesmos. O importante é garantir que essas versões sejam sempre melhores.